Sentei no banco, as portas se fecharam.
"Próxima estação: Liberdade"
Pensei comigo, então, se aquilo poderia significar algo. Observei as pessoas, e elas pareciam um tanto automáticas. Uma olhando pelo vidro, outras com as cabeças baixas, mais algumas se entreolhando sem jeito, como se quisessem conversar, mas não sabendo como.
É louco demais esse mundo, todos mundo sentem vontade de se abrir, mas quando há oportunidades, todos ficam amedrontados e receosos de serem prejudicados. Tolos.
O metrô parou, as portas se abriram. Mais um punhado de gente. Automáticos, obviamente.
Vi que muitos se prendiam dentro de si mesmo com aquela típica entreolhada...
Saindo na Av. Paulista, senti o frio e a rua movimentada. Famílias, adolescentes em turma, vendedores nas ruas. Ah, se eu pudesse ter filmado aquele momento com meus olhos, tenho certeza que eu iria ganhar um "Oscar". Olhei para a rua, vários carros. Gente de todos os jeitos e idades. Alguns riam, outros brigavam. Outros, eu percebi, fecharam as janelas e ligaram o rádio, só dava para ver os movimentos com a boca e com a cabeça. Comédia urbana.
Universos inteiros passavam por mim, com muitas histórias para contar, e com uma gama de propósitos e pensamentos que eu, talvez, jamais entenderia.
Notei, então, um homem deitado na rua. Deveria ter uma vida sofrida pelo olhar sem brilho.
Mais pessoas passavam por mim. Então comecei a ouvir tudo. Carros, brigas, fofocas, risadas, tapas, gritos, passos, músicas, celulares. Tudo se misturou, era como se eu conseguisse ver através do mundo o que eu nunca tinha visto! As decorações natalinas, diga-se de passagem, colaboraram para chamar minha atenção; o céu era cinza, o ar até que respirável.
Eu me sentia tonto, mas aquilo tudo me deixava feliz.
Eu continuei a caminhar, pensando em como sou pequeno diante do mundo, mas que mesmo com meu tamanho mínimo, se eu começasse algo bom, com certeza isso se expandiria. Eu sentia vontade, eu sentia necessidade. Me sentia como um irresponsável responsável pelo mundo! Sentia um liquidificador ligado nas minhas pernas, respirava meus devaneios.
Abri então a janela do meu quarto, respirei fundo e pensei: "Acho que aprendi o que é sonhar!"
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3 comentários:
O simples fato de crermos na vida e objetivarmos tentar colaborar na construção de um mundo melhor já é saber sonhar!
Abraços feio!
Não somos Madre Tereza, mas podemos fazer nossa parte... Como carregando caixa de alimentos, limpando um chão, um banheiro e atendendo quem precisa com amor e disciplina! rsrsrsrsrs!
Como bem ensina a Vó, precisamos colocar o amor em movimento, exercitando nossos corações, para, dessa maneira, distribuirmos amor, fraternidade e fé!
ADOREI o texto. Achei incrivelmente foda. Parabéns, Bru.
se cuida ;]
beeijos
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