quinta-feira, 6 de novembro de 2008

- O que você está fazendo aqui? - diz ela irritada.
- O mesmo que você...
- Não se faça de idiota... Você está me seguindo, não está?
- Estou. - ele falou, com um leve tom de sarcasmo.
- Então diga logo o que quer!
- Você sabe!
Os dois se entreolharam, silenciosamente. Na pequena rua só se viam as sombras dos postes e o chão molhado por causa da chuva que terminara havia quinze minutos.
- Me deixe em paz!
- Você sabe a causa de estarmos aqui, não sabe? - ele tirou o chapéu preto de cima dos olhos.
- Basta! Eu não vou ficar aqui ouvin...
- Você quer... Eu sei que você quer. - ele a interrompeu - Se não quisesse, não teria perdido seu tempo comigo. Aqui está deserto. Eu só quero que me diga se sim, ou se não.
Ela ficou em silêncio. Sentia muita raiva, mas ao mesmo tempo pairavam pensamentos que ela não sabia de onde vinham.
- Ninguém pode saber. Já ouviu falar em discrição?
- Queria que eu te fizesse a mesma pergunta na frente dos outros? Falamos depois então. - deu meia volta, mas foi puxado pelo braço.
- Espere.
- Hmmm, quer dizer que a mocinha mudou de idéia?
- Eu quero me livrar... Me incomoda saber das diferenças... Porque comigo?
- Não tem como se livrar, a que eu te ofereço é a melhor de todas. Não tem quem encontre melhor para a situação, você sabe... Sempre soube!
- Mas quero parar com tudo. Isso não é bom. - ela se calou repentinamente.
- Eu sei de tudo, não precisa repetir. Quer ou não?
- Quando eu acordar não quero me lembrar...
- Você vai lembrar. E você sabe que é uma experiência que você comprometeu a cumprir.
- Eu não tenho forças...
- Tem sim.
- Porque comigo?
- Pergunte a você mesma.
- Ela não vai aceitar!
- Se você não acreditar em você, e tiver vergonha, nada vai se concretizar - ele falou em tom firme.
- Não me siga mais.
- Impossível.
- Eu vou voltar... Cansei.
- Você é quem decide, mas cada escolha tem uma conseqüência.
- Vou ter que mesmo que fazer tudo isso? - o tom de medo ficava em destaque em sua voz.
- Se não agora, mais tarde.
Voltou a chover. As luzes dos postes falhavam, e pessoas começavam a surgir. O dia estava clareado já. Na discussão, ela não percebeu o horário. Já se ouviam vozes mais próximas, e as pisadas no chão ainda molhado.
- Está chegando a hora. Decida-se.
- Quando eu voltar, vejo o que faço.
- Então eu vou indo. Nos encontramos em outros momentos oportunos. - ele beijou sua mão.
Ela ficou em silêncio. Uma brisa mais forte e gelada passou e ele desapareceu como se fosse um punhado de areia.
Ela estava molhada, o travasseiro banhado de suor. O lençol no chão, e o copo de água derramado sobre a mesa de cabeceira. Pegou o telefone e digitou alguns números.
- Alô?... Preciso te fazer uma pergunta, posso?... Não, tem que ser agora!... Casa comigo, Michele?

Um comentário:

disse...

O amor não escolhe onde pousa
Brota na gente sem se querer
O amor simplesmente repousa
Num coração que deseja feliz ser

O amor não tem nenhum pudor
Instala-se sem licença pedir
O amor não escolhe credo ou cor
Ele é prático, simples como sorrir

O amor não sabe tirar férias
Está por aí, disposto a acontecer
O amor parece coisa muito séria
Mas é leve como o entardecer

Assim é esse sentimento insano:
Cheio de pureza e simplicidade
Seu nome? Amor, caros humanos

Sua missão? Trazer felicidade
E acalentar todos os prantos
De toda essa triste humanidade!